Na manhã de 22 de outubro de 2025, representantes do SITSESP participaram de uma reunião na sede da Fundação CASA, em São Paulo, para discutir a eventual implantação dos equipamentos de scanner corporal nos centros socioeducativos. O encontro, que se estendeu das 10h às 12h48, contou com dirigentes da instituição e da empresa responsável pelos equipamentos, além da presença do presidente do sindicato, Neemias de Souza Silva, do diretor jurídico Edson Brito, do advogado Ronaldo Pagotto, da secretária-geral Jessita Camargo e de Pedro Camilo, integrante da Comissão Permanente de Negociação.
Debate sobre segurança e riscos à saúde.
Durante a reunião, técnicos da Fundação apresentaram o scanner Nuctech modelo HT2000GAL, destacando que o equipamento opera dentro dos limites de radiação permitidos pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e que gestantes, lactantes e pessoas com marca-passo estariam dispensadas do uso.
Apesar das explicações, o SITSESP manifestou preocupação com os possíveis efeitos da exposição à radiação a longo prazo, mesmo dentro dos limites considerados seguros. O presidente Neemias de Souza Silva lembrou que decisões judiciais anteriores já determinaram a suspensão temporária do uso desses equipamentos em outras instituições e alertou que a saúde dos trabalhadores deve prevalecer sobre qualquer medida de segurança tecnológica. E manifestou contrariedade a implantação na forma proposta, pois trata o servidor como suspeito.
O diretor jurídico Edson Brito reforçou que muitos servidores ainda não possuem informações suficientes sobre o funcionamento do scanner e temem riscos à integridade física, especialmente aqueles com condições de saúde pré-existentes.
Divergências e encaminhamentos
Durante o debate, o SITSESP propôs que o uso do scanner seja limitado aos centros com maior registro de tentativas de entrada de objetos ilícitos, de forma gradual e supervisionada, como alternativa à implantação generalizada e no modo aleatório para 30% em cada entrada. A Fundação CASA, no entanto, manteve a posição de instalar os equipamentos em todas as unidades, afirmando que o scanner é um recurso complementar de segurança e que o respeito à privacidade e à identidade de gênero será assegurado.
Ao final da reunião, não houve consenso. O SITSESP reiterou sua posição contrária à adoção ampla e irrestrita dos scanners, defendendo que qualquer implementação deve ser precedida de estudos técnicos independentes, certificações atualizadas e acompanhamento de órgãos fiscalizadores.
“O sindicato não é contra a tecnologia, mas é contra qualquer medida que coloque em risco a saúde e a dignidade dos servidores. Segurança não se faz com imposição, mas com diálogo, ciência e respeito aos servidores”, declarou o presidente Neemias de Souza Silva.
Com a recusa em prosseguir com a discussão, na mesa de negociação permanente, a Fundação CASA juntou uma petição nos autos para prosseguir o processo, que tem audiência agendada para o próximo dia 9 de dezembro 2025. O SITSESP seguirá acompanhando o tema e cobrando transparência e responsabilidade na condução do processo, reafirmando seu compromisso com a proteção da saúde e dos direitos dos profissionais da Fundação CASA.

