Em uma reunião pontual dedicada exclusivamente às questões da área da Saúde da Fundação CASA, representantes do SITSESP e da instituição se encontraram para avaliar problemas estruturais, apontar soluções e reforçar a necessidade de medidas imediatas para garantir melhores condições de trabalho e atendimento nas unidades socioeducativas.
Participaram do encontro o presidente do SITSESP, Neemias Souza, as diretoras sindicais Angela Aparecida Santos, Maria Helena Machado e Aline Alonso, além da representante da base Michele Freitas da Silva William. Pela Fundação CASA, estiveram presentes Raelen Bego (Chefe de Gabinete), Fátima Marcato (Saúde), Angélica (Superintendência de Saúde), Claudia Pasquini (Gerente de Saúde) e Robson, representante do DEGAR.
Déficit de profissionais agrava sobrecarga e eleva riscos assistenciais.
O SITSESP apresentou um quadro crítico envolvendo a defasagem de auxiliares de enfermagem, enfermeiros e profissionais das equipes psicossociais. A falta de pessoal nas unidades tem provocado sobrecarga das equipes, dificuldade na divisão das tarefas, aumento do risco assistencial e comprometimento da qualidade e segurança no atendimento aos adolescentes.
O sindicato destacou ainda a existência de erros recorrentes na administração de medicamentos, reforçando a urgência da adoção de protocolos padronizados que reduzam riscos tanto para os trabalhadores quanto para os adolescentes atendidos.
A Fundação CASA informou que, no momento, não há previsão de concurso público para reposição de profissionais. No entanto, apontou que está realizando estudos para minimizar a carência de pessoal. Sobre a administração de medicamentos, a instituição se comprometeu a reforçar orientações aos gestores, especialmente nos plantões em que não há equipe de saúde.
Unidades seguem com defasagem psicossocial
O SITSESP também detalhou a falta de profissionais psicossociais em unidades específicas:
CASA Lins: 1 psicólogo
CASA Limeira: 1 assistente social e 1 psicólogo
CASA Sorocaba 3: 1 psicóloga
CASA São Carlos: 1 assistente social
A Fundação CASA respondeu que, provisoriamente, tem suprido essas ausências por meio de teleatendimentos, complementados por visitas presenciais mensais aos Centros de Referência. Entretanto, o sindicato enfatizou que o teleatendimento não atende plenamente às necessidades dos adolescentes, reforçando a necessidade de recomposição presencial das equipes.
Outro ponto debatido foi a falta de registros no SIG sobre solicitações de flexibilização de horários por necessidades dos centros. Segundo a Fundação, um novo comunicado deve ser emitido com esclarecimentos e atualizações em relação ao comunicado 02/2025, que trata dos atendimentos psicológicos individuais e grupais.
Também houve discussão sobre a participação de assistentes sociais e psicólogos nos plantões de visita, especialmente quando recaem em feriados. A Fundação CASA esclareceu que não há dispensa desses profissionais e que, nesses casos, devem ser garantidos o pagamento de horas extras e a manutenção da folga da escala. O sindicato reiterou a importância de continuar seguindo os procedimentos técnicos já padronizados e foi informado sobre a reestruturação dos cadernos psicossociais.
A reunião reforçou a importância do diálogo técnico e direto entre as partes, especialmente diante dos desafios crescentes enfrentados pelas equipes de saúde da Fundação CASA.
O SITSESP seguirá acompanhando os encaminhamentos, cobrando soluções efetivas e defendendo condições dignas de trabalho, valorização profissional e atendimento seguro e qualificado aos adolescentes.

