Atendendo a uma demanda apresentada pelo SITSESP durante a mesa de negociação de 2026, foi realizada, no dia 02 de abril, uma reunião com a Fundação CASA para tratar de questões relacionadas à implementação e ao funcionamento do scanner corporal nas unidades.
Desde o início, o SITSESP reafirmou seu posicionamento contrário à utilização do equipamento. No entanto, destacou que, em cumprimento à decisão judicial vigente, os servidores e servidoras estão sendo submetidos ao procedimento. Diante desse cenário, a entidade levou à reunião uma série de problemas práticos identificados no cotidiano das unidades.
Entre os principais pontos levantados estão as longas filas e atrasos no acesso às unidades, que têm impactado diretamente a rotina de trabalho. O sindicato também questionou a localização dos scanners em determinados centros, onde os servidores precisam passar pelo equipamento até mesmo para acessar armários ou banheiros, o que tem gerado desconforto e dificuldades operacionais.
Outro aspecto relevante discutido foi a obrigatoriedade de passagem pelo scanner em situações específicas, como no caso de auxiliares de enfermagem que necessitam se deslocar entre unidades, o que tem ampliado a exposição e o desgaste desses profissionais.
O SITSESP também apontou inconsistências no sistema, incluindo instabilidades no ERP e dúvidas quanto à confiabilidade dos dados registrados, especialmente em relação à dosagem de radiação. Foi questionada a variação nos registros por passagem e a forma de controle do limite anual de exposição.
A Fundação informou que o acompanhamento da dosagem segue parâmetros técnicos e que, ao se aproximar do limite anual de 500 milisieverts, as passagens passam a ocorrer de forma mais controlada. Ainda assim, o sindicato reforçou a necessidade de transparência e segurança nas informações.
Também foram debatidos temas como:
a não obrigatoriedade de passagem de alimentos pelo scanner;
a ausência de exigência de escaneamento na saída das unidades;
falhas na realização dos cursos de capacitação, que, segundo denúncias, não estariam cumprindo a carga mínima de 16 horas.
A Fundação informou que está revisando situações específicas em unidades como Nova Vida, CAIP São Francisco, Complexo Brás e Franco da Rocha.
Em relação aos atrasos gerados pelas filas durante o período de adaptação, a Fundação reconheceu o problema e afirmou que irá verificar eventuais descontos indevidos, com possibilidade de desconsideração dos mesmos quando comprovadamente relacionados à implantação do sistema.
Participaram da reunião, representando o SITSESP, o presidente Neemias de Souza, além das diretoras e diretores Ângela Santos, Aline Alonso, Waldir Teixeira, Jessita Camargo e Isabel Soares, bem como o advogado Ronaldo Pagotto. Pela Fundação CASA, estiveram presentes representantes da gestão e do contrato do equipamento, além da assessoria jurídica da instituição.
Além das tratativas administrativas, o SITSESP segue atuando de forma permanente na esfera jurídica. Por meio de seu departamento jurídico, a entidade busca conscientizar o Poder Judiciário sobre os impactos e problemas enfrentados pela categoria com a implementação do scanner corporal, reivindicando a suspensão da medida que obriga a passagem dos servidores e servidoras pelo equipamento.

