Teve início nesta segunda-feira, 16 de março, a operação do sistema de revista por meio de scanner corporal nas unidades da Fundação CASA. A medida passa a valer após uma série de discussões judiciais envolvendo a implantação da tecnologia no sistema socioeducativo paulista.
O tema foi objeto de ampla batalha judicial. Em um primeiro momento, uma ação movida pelo SITSESP resultou em decisão da Justiça que adiou a implantação do scanner corporal, diante de preocupações apresentadas pelo sindicato em relação às condições de operação, à privacidade e à segurança dos trabalhadores.
Posteriormente, a Fundação CASA voltou a provocar a Justiça, solicitando a reavaliação do caso. Diante disso, o Judiciário concedeu liminar autorizando a implantação do sistema, porém estabelecendo uma série de condições obrigatórias para a sua utilização.
Entre as determinações judiciais estão:
A operação dos equipamentos deve ser realizada exclusivamente por profissionais treinados e qualificados;
Deve haver respeito à privacidade dos trabalhadores;
Mulheres devem ser revistadas por operadoras mulheres e homens por operadores homens;
A implantação não pode gerar qualquer tipo de prejuízo aos servidores, especialmente em relação ao controle de jornada e apontamentos de horário.
SITSESP acompanha implantação e cobra respeito aos servidores
Desde as primeiras horas da manhã, o SITSESP mobilizou toda a sua diretoria e os delegados sindicais para acompanhar de perto o início da operação do scanner corporal nas unidades da Fundação CASA.
A presença dos dirigentes e delegados teve um objetivo claro: fiscalizar a implantação do sistema, dialogar com os servidores e garantir que as determinações da Justiça sejam respeitadas. O sindicato entende que mudanças dessa natureza impactam diretamente a rotina de trabalho e, por isso, não poderiam ocorrer sem acompanhamento direto da representação sindical.
Diretores e delegados estiveram nas unidades ouvindo os trabalhadores, verificando as condições de operação dos equipamentos e registrando eventuais irregularidades ou problemas operacionais. A atuação do sindicato neste primeiro dia também teve o papel de dar respaldo aos servidores e demonstrar que a categoria não está sozinha diante das mudanças impostas pela gestão.
Filas e atrasos no primeiro dia
No primeiro dia de funcionamento, dirigentes do sindicato constataram a formação de filas nas entradas das unidades, gerando atrasos médios entre 20 e 40 minutos para a passagem pelo scanner corporal.
Em algumas unidades, a operação não chegou a ser iniciada, principalmente por falta de operadores capacitados ou por questões operacionais relacionadas à instalação e funcionamento dos equipamentos.
Outro ponto que gerou preocupação entre os trabalhadores foi o impacto desses atrasos no horário de apontamento da jornada, já que muitos servidores enfrentaram demora no acesso às unidades.
Diante dessa situação, o sindicato reforça que a decisão judicial é clara ao determinar que não pode haver prejuízo aos servidores, inclusive em relação ao registro de ponto e eventuais atrasos decorrentes da implantação do novo sistema.
O SITSESP seguirá acompanhando a implementação do scanner corporal nas unidades da Fundação CASA, dialogando com os trabalhadores e cobrando que todas as determinações judiciais sejam rigorosamente respeitadas.

