O Primeiro de Maio nasce da luta histórica dos trabalhadores por dignidade e direitos. Sua origem está nas mobilizações do século XIX, especialmente após o Massacre de Haymarket, nos Estados Unidos, quando operários foram às ruas exigir melhores condições e a jornada de oito horas. Desde então, a data se tornou um símbolo mundial de resistência, conquista e da necessidade permanente de valorização do trabalho.
Neste Primeiro de Maio, eu não consigo falar apenas de celebração. Falo de luta, de memória e, acima de tudo, de respeito a cada servidor e servidora da socioeducação que, todos os dias, entrega sua vida ao compromisso de transformar realidades.
Eu sei o que cada um de vocês enfrenta. Sei das jornadas difíceis, das estruturas que muitas vezes não oferecem as condições que merecemos, do peso emocional que carregamos. E, ainda assim, vocês seguem firmes. Isso não é apenas trabalho — é missão.
Hoje é dia de reconhecer essa coragem silenciosa, esse esforço que muitas vezes não aparece, mas que sustenta o sistema e faz a diferença na vida de tantos jovens.
Mas este também é um momento de lembrança. Amanhã, completam-se quatro anos da perda de um companheiro nosso, um servidor que tombou no exercício da sua função. Essa data não pode ser esquecida. Ela precisa estar viva em nossa consciência como símbolo do quanto nossa categoria se expõe, do quanto arrisca, e do quanto precisa ser valorizada e protegida.
E essa não é uma dor isolada. Ao longo dos anos, nossa categoria acumulou perdas que jamais podem ser tratadas como números. Em 2016, em Marília, o agente socioeducativo Francisco Calixto foi morto durante uma rebelião na unidade, evidenciando de forma brutal o nível de risco enfrentado pelos profissionais da área.
Já em 2022, em Guarujá, o agente Evaldo Gomes de Souza, de 45 anos, também perdeu a vida durante uma ocorrência envolvendo internos na unidade da Fundação Casa. Mais uma tragédia que reforça o alerta sobre a urgência de medidas efetivas de proteção.
São histórias que carregam nomes, famílias e trajetórias — e que reforçam o quanto precisamos de respeito, proteção e condições dignas de trabalho.
Eu falo com vocês não apenas como presidente do SITSESP, mas como alguém que caminha ao lado de cada trabalhador e trabalhadora dessa categoria. A dor de uma perda como essa é coletiva. E a nossa luta também precisa ser.
Seguiremos cobrando respeito, condições dignas de trabalho, segurança e valorização. Porque nenhuma vida pode ser tratada como estatística. Nenhum servidor pode ser invisível.
Neste Primeiro de Maio, eu deixo meu reconhecimento, minha solidariedade e, principalmente, meu compromisso: o SITSESP continuará firme, lutando por cada um de vocês.
Vocês não estão sozinhos.
Neemias de Souza
Presidente do SITSESP

